quinta-feira, 15 de maio de 2008

Unisul: Coronelismo em pleno século 21


Na prática, a Unisul tem dono. Na teoria, ou na lei do município de Tubarão (mais especificamente a lei nº1389/89), a Universidade do Sul de Santa Catarina é uma fundação municipal.

Para facilitar o entendimento de quem não vive a realidade daquela instituição, vamos aos fatos.


O Conselho Universitário aprovou a antecipação da "eleição" para a reitoria da universidade, que estava prevista para setembro, mas já está acontecendo em pleno mês de maio. Ninguém se preocupou ainda em dar uma explicação ou justificativa para tal ação.


O atual reitor Gérson Luiz Joner da Silveira, depois de sete anos de mandato, decidiu quem será seu sucessor, digo, já escolheu os nomes que participarão das "eleições" na condição de chapa de situação. Trata-se de Aílton Nazareno Soares, atual diretor do campus da Grande Florianópolis, para reitor, e Sebastião Salésio Herdt para vice-reitor, mesmo cargo que ocupa atualmente.


Não me surpreendi quando me deparei nessa semana com um Edital da Comissão Eleitoral, datado de 09/05/2008, informando que apenas uma chapa estava inscrita para a eleição da reitoria da Unisul.


Ainda que tivéssemos uma chapa de oposição (o que parece piada), quem tem direito a votar são os coordenadores de cursos, sem estabilidade de emprego, e o Conselho Universitário, escolhido pelo reitor.


É válido lembrar que na Unesc todos os acadêmicos, professores e funcionários votam. Os candidatos a reitor apresentam propostas de gestão e debatem ações com estudantes e os concorrentes ao cargo. Estou há quatro anos na Unisul e, assim como a grande maioria de acadêmicos, professores e funcionários, só "conheço" o atual reitor por foto.


Mais grave ainda é constatar, baseado em informações da última reunião do conselho, que no balanço da atual gestão existe uma diferença gritante nos investimentos feitos nos campi de Tubarão e Florianópolis. Somente no último ano de mandato, a atual gestão investiu aproximadamente R$ 1,7 milhão no campus do sul, enquanto no da capital o investimento gira em torno de R$ 9 milhões.


É o coronelismo do século 21 enquanto muitas pessoas acreditam que esse modelo autoritário teve fim em 1930. Do mesmo modo pode parecer coisa do passado o movimento Diretas Já!, mas pasme: ou os acadêmicos da Unisul vão às ruas com as caras pintadas ou vão manter atadas as mordaças impostas por uma universidade que, por ironia do destino, foi criada em 1964.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Unisul: "Eleições", retrocesso e "democracia"


Sempre que se fala em eleições para a reitoria da Unisul presenciamos debates calorosos entre os defensores do modelo atual e os contrários. Quero opinar com a visão do acadêmico, livre de interesses particulares, e que apesar de ser afetado de forma direta pelas decisões do reitor, "participa" de forma indireta na escolha do mesmo.

A democracia, que é a questão mais levantada pelos debatedores nesse caso, poderia ser analisada de diversos ângulos. O único destes que eu não usaria é o significado científico da palavra porque, infelizmente, a prática e o significado real de muitas palavras do nosso vocabulário se distorceram – e muito – dos seus conceitos científicos.

Vou falar da democracia que percebemos, sentimos. Essa é incontestável. E, infelizmente, para os acadêmicos da Unisul, inexistente. A forma indireta ou representativa de eleição que vivemos na universidade não é – nem de longe – uma democracia.

Infelizmente no movimento estudantil presenciamos a realidade do voto por representação, os estudantes elegem os delegados que votam nos congressos. Mas na Unisul ainda é pior. Nós não escolhemos quem serão as pessoas que votam nas eleições da reitoria.

Não sejamos ingênuos para acreditar que a eleição da forma direta é uma garantia da qualidade do eleito. Mas na minha cidade eu presencio as eleições para coordenador de curso e reitor da universidade. Posso afirmar com propriedade que a forma direta beneficia a instituição de ensino, bem como professores, funcionários e estudantes.

O candidato a reitor apresenta propostas de gestão. Debate com acadêmicos e outros candidatos. Os estudantes, os funcionários e professores conhecem quem ocupa a cadeira da reitoria, como ele pensa e o que ele prometeu pra chegar ate ali. E o principal: o movimento estudantil pressiona o eleito para cumprir as promessas de campanha. Caso isso não aconteça, nós teremos a próxima eleição para corrigir o erro, trocar o reitor. Isso não força uma melhor gestão dos ocupantes do cargo?

Somado a isso existe o exercício da cidadania, a sensação de progresso no âmbito da democracia. E reafirmo a questão de progresso porque em relação aos estudantes que votam para reitor e coordenador de curso nos vemos num retrocesso histórico, implorando por "Diretas Já"!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Associação Mundial de Jornais X China

Ao ler o jornal Diário Catarinense de hoje me chamou a atenção o anúncio da Associação Mundial de Jornais, que lançou uma campanha (às vésperas dos Jogos Olímpicos da China) para protestar contra a prisão de jornalistas chineses.

Segue texto na íntegra:


VOCÊ GOSTARIA DE ASSISTIR AOS PRÓXIMOS JOGOS OLÍMPICOS?
ISSO É UMA COISA QUE VOCÊ NUNCA VERÁ

Em agosto de 2008, os Jogos Olímpicos acontecerão pela primeira vez na China. O acontecimento promete ser grandioso e centenas de milhões de pessoas de todo o mundo assistirão.
O que as autoridades chinesas têm medo de divulgar, porém, é o número de jornalistas - mais de trinta - que estão cumprindo pena de prisão neste momento.Nada fizeram de errado. Apenas tiveram a coragem de contar a verdade e divulgar notícias que o governo preferia ocultar.

Um exemplo? A condenação a vinte anos de prisão de Zhu Wanxiang, que aconteceu quando seu jornal se atreveu a informar sobre protestos de camponeses cujas terras foram encampadas pelo governo.Há também o caso de Li Yuanlong, condenado a dois anos de prisão por colocar anúncios na Internet que criticavam o nível de vida na China.

Na mesma situação se encontra Shi Tao, condenado a dez anos de prisão por ter informado sites estrangeiros na Internet sobre a proibição de comemorar o 15º aniversário do massacre da praça de Tiananmen (Paz Celestial), imposta por autoridades chinesas.

Há pelo menos mais trinta jornalistas presos por 'crimes' semelhantes.Você se sente confortável com a idéia de que os Jogos Olímpicos acontecerão em um país que prende seus próprios jornalistas por contar a verdade?

Se este não for o seu caso, junte-se à nossa campanha e mande uma mensagem para as autoridades chinesas, pedindo a libertação de todos os jornalistas encarcerados, em consideração à realização dos Jogos Olímpicos. Sua ação pode mudar o rumo das coisas.

No site da campanha (clique aqui) você pode encontrar os nomes e histórias dos jornalistas presos pelo governo chinês, bem como as peças da campanha.
Qual é a sua opinião a respeito disso? Comente!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Saúde e educação, prioridade só na eleição!

Por Adelor Lessa
Coluna no Jornal A Tribuna - 09/04/2008

Acompanhei ontem, na Assembléia Legislativa, Florianópolis, a sessão que aprovou em definitivo o abono aos professores da rede pública do Estado. Foi lamentável. Como filho de professora aposentada, não tinha como não ficar indignado. "Dona" Lourdes e seus companheiros mereciam um tratamento mais respeitoso. De nada adiantaram os protestos dos professores, ativos e inativos, que lotaram as galerias, e fizeram ser suspensa a sessão por duas vezes, com ameaça de cancelamento. Em uma delas, a coordenadora do Sinte de Criciúma, professora Janete Medeiros, fez parar tudo. Levantou nas galerias e, de dedo apontado para os deputados da base do Governo, disse tudo o que todo o professor gostaria de dizer. Pelo menos, descarregou.

Mas os deputados da base pareciam surdos. Estavam ali para cumprir ordem, e foram muito obedientes. Aprovaram tudo como o Governo queria. Assim, ajudaram, a manter o salário de fome do professor, ganhos irrisórios (e ofensivos) aos aposentados, prédios escolares em más (ou péssimas) condições e falta de equipamentos para o trabalho com os alunos.

Saí da Assembléia, "abri" o meu computador, e lá estavam várias mensagens sobre os problemas de sempre na rede pública de saúde. Só para citar dois: em Urussanga, o caso hospital ainda está aberto pela "teimosia" dos seus diretores; em Criciúma, continua o ambiente "pós-guerra" no Pronto-Socorro do Hospital São José, com pacientes espalhados e amontoados pelos corredores, sendo medicados, tomando soro, recebendo curativos. Mas os políticos, a cada campanha eleitoral, garantem que saúde e educação são as prioridades. Mas, onde? Na França? Só se for lá!


Ao ler hoje pela manhã a coluna do jornalista Adelor Lessa concordei em gênero, número e grau com essa nota que transcrevi na íntegra para os leitores do blog. Infelizmente a análise do Lessa está perfeita. Se o leitor não lembra do caso "greve dos professores" role a página para baixo que já foi dada opinião de muita gente no texto "Greve dos professores catarinenses".

terça-feira, 8 de abril de 2008

Além das Janelas


Por Stéphanie Pizzolatti

Todos os dias, ao acordar, abro a janela do meu quarto e vejo a vida passar lá fora, faça chuva ou faça sol. Vejo também tantas outras janelas, das casas, dos prédios, dos carros, da padaria, da Igreja...Continuo andando pela casa e abrindo as outras janelas para que a luz entre e o ar se renove, e não posso, ou melhor, não consigo deixar de observar mais e mais janelas.
Mas por que tantas? Já tentei imaginar as coisas sem janelas, na verdade já até desenhei e realmente ficaram muito estranhas, mesmo assim não dei-me por satisfeita, não matou a minha curiosidade de sua grande quantidade espalhada pelo mundo. Qual sua real importância? Deixar a luz entrar, o ar arejar ou apenas saciar o desejo humano de observar a vida alheia? Depois de muito tempo tentando desvendar o mistério dos buracos nas paredes, eu aprendi que cada pessoa os utiliza acordo com as suas necessidades.

Há aqueles que ficam na janela analisando e pré-julgando a vidas das outras pessoas ou criticando o telhado sujo do vizinho, aqueles que ficam horas e horas esperando a pessoa amada passar, há os que buscam desenhos e formas nas nuvens ou apenas se perdem no infinito azul do céu, os amantes da lua que a contemplam todas as noites, os invejosos que vêem com malícia o casal apaixonado que caminha feliz, os que vão à janela respirar ar puro e também aqueles que escutam conversas alheias para no dia seguinte ter o que fofocar, há ainda aqueles que acham as janelas uma perda de tempo.

Então chega certa hora, um determinado momento da vida em que descobrimos a janela mais importante que existe... A janela da Alma! E quando essa se abre já não precisamos de explicações, porque todas as outras e tudo que vemos através delas passam a ter um significado, passam a ter sentido... Dela vemos tudo e muitos nem percebem que há uma janela aberta.
Abra os olhos e veja o invisível...o essencial para a alma!

Estou muito feliz em publicar o primeiro texto enviado pelos leitores. A crônica que vocês acabaram de ler foi enviada pela Tefinha, estudante de Jornalismo da Unisul. Gostei bastante do texto e da particpação no Blog e espero que você e os outros leitores enviem mais textos para serem publicados nesse espaço que é nosso!

sábado, 5 de abril de 2008

A desvalorização da arte

Quatro minutos. Esse é o tempo médio que o artista Antoni Petroccely leva para pintar uma tela, ao som alto no estilo Hard Core e usando tinta spray com as cores básicas (branco, amarelo, azul, vermelho e preto), além de algumas artimanhas como fogo, esponjas e espátulas.

A habilidade do artista roubou a cena de quem passava pela Praça Nereu Ramos neste sábado. Em frente à entrada principal do Shopping Della Giustina se formava uma roda de mais de 50 pessoas cada vez que Petroccely começava uma nova obra.

Antoni Petroccely, 30 anos, é natural do Rio de Janeiro e já percorreu mais de 400 cidades divulgando e vendendo o trabalho que aprendeu a fazer nas ruas de São Paulo.
Apesar de atrair a atenção de muita gente na praça, o artista está de saída de Criciúma porque acha a arte pouco valorizada por aqui. "Meu sonho é ter meu trabalho reconhecido e morar fora do Brasil. É triste ver que a arte é tão pouco valorizada por aqui, quero morar num lugar que dê o valor que ela merece" critica o artista.

As telas de Petroccely abordam diversos temas, como natureza e animais e têm preço variado de acordo com o tamanho, entre R$15 e R$40,00. O artista conta que está escrevendo um livro, ainda sem titulo, para criticar o comportamento da sociedade em relação à arte. "Tem gente que me assiste enquanto pinto e depois aplaude, mas tem gente que vem comprar e quer fazer o preço. A maioria acha as telas de R$15,00 caras e é isso que me desanima" afirma.

Por coincidência, durante a entrevista uma senhora de classe média-alta se aproximou do artista pedido para ele fazer duas telas por R$20,00. Depois de muita negociação e de ouvir o filho de 11 anos dizer que o trabalho valia a pena, a senhora pagou R$25,00 nas duas telas e saiu com cara de quem não tinha feito bom negocio.

Antoni Petroccely vai ao Oeste do estado nesta segunda-feira encerrar sua passagem por Santa Catarina que já dura dois anos.

Conheça mais sobre o trabalho no site do artista: http://www.cyberartetv.kit.net/

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A redução da maioridade penal

Li no Portal Terra que uma pesquisa do Ibope (publicada no dia 27 de março) apontou que 83% dos entrevistados (2.002 pessoas) defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, acreditando que isso iria diminuir o número de crimes.

Pois bem, hora de soltar o verbo:

Que insanidade! O tráfico e suas quadrilhas pegam os menores de 18 anos hoje para cometerem delitos (ou assumir alguns sem que os tenham cometido) porque o menor vai para casas de recuperação e tem uma pena pequena.

Quer dizer então que as pessoas ali ao responder a pesquisa consideram que diminuir a idade penal é a solução? Na minha opinião o problema fica ainda mais bizarro. Não veremos mais jovens de 16 e 17 anos cometendo crimes em nome de quadrilhas. Veremos jovens de 14, 12, 10 anos de idade. Vai me perguntar o leitor aí: Ué, hoje já não existem crianças de 12 anos cometendo crimes para as quadrilhas?

Claro que existe! Mas não são maioria. A maioria são os jovens no limite da maioridade penal, porque quanto mais velho mais esperto, mas se ultrapassar a maioridade penal perde o valor para a indústria do tráfico.

Não adianta! seja qual for o tema levantado aqui no blog eu só consigo ver a educação como alternativa para o caos do atual comportamento humano.